Na região de Sperlonga, a meio caminho entre Roma e Nápoles, a antiga villa do imperador romano Tibério se tornou o que hoje é o Museo Archeologico Nazional e Area Archeologica di Sperlonga, onde fica um dos mais impressionantes acervos de esculturas da Itália: uma série de imagens inspirados nos textos homéricos encontrados em meio às ruínas.
Tibério, que governou entre 14 d.C. e 37 d.C., era conhecido como um imperador recluso, e tinha em Sperlonga – conhecida à época como Spelunca, a palavra latina para uma gruta – a sua residência de verão. As ruínas da villa, aliás, só foram encontradas em 1957, a partir de escavações arqueológicas próximas à cidade, que envolveram também os achados na gruta que deu ao local seu nome original.
Diante do risco de que as obras de arte acabassem transferidas para Roma, moradores locais se mobilizaram e conseguiram manter o tesouro arqueológico em Sperlonga por meio da construção de um museu. A visita contempla tudo: na área arqueológica fica a antiga villa, enquanto o museu conserva as esculturas que foram lá resgatadas.
História e atrações
A área arqueológica consiste na estrutura original da Villa de Tibério, com terraços voltados para o mar, no estilo do final da república romana. Mas o grande destaque da antiga residência de Tibério é a sua gruta. A caverna natural à beira-mar servia como ambiente cênico para os banquetes oferecidos pelo imperador. Uma das atividades que o imperador realizava em sua residência em Sperlonga era a criação de peixes nas chamadas pesqueiras, que estavam ligadas à gruta.
Também estão expostos fragmentos originais e reconstruções em escala real das estátuas de mármore gregas encontradas no local. As esculturas têm inspiração homérica e fazem referência às lendas da Odisseia e da Ilíada. O acervo é majoritariamente composto por quatro grandes grupos escultóricos.
Um representa o encontro de Ulisses e o ciclope Polifemo, cena conhecida na Odisseia. De forma astuta, Ulisses diz ao ciclope que seu nome é “Ninguém”. Assim, quando ele e seus companheiros atacam o Polifemo durante seu sono, seus pedidos de socorro não são atendidos – o ciclope grita que “Ninguém” o está atacando.
Também estão representados o Ataque de Cila, o monstro marinho que investiu sobre a embarcação de Ulisses e devorou seus companheiros; o Rapto do Paládio, quando Ulisses e Diomedes roubam a estátua da deusa Atena do templo troiano; e Ulisses resgatando o corpo de Aquiles, durante a Guerra de Tróia.
O acervo do museu também inclui diversos objetos dos períodos clássico e pós-clássico que contam a história da ocupação da região ao longo dos séculos. Entre os artefatos expostos estão vasos áticos, terracotas arquitetônicas, cerâmicas africanas e lucernas cristãs. Por fim, também fica em exibição um vídeo, que conta a história da descoberta arqueológica de 1957 e da criação do museu.
Visitação
O museu fica aberto para visitação entre às 8h30 e às 19h30, com entrada até às 19h. Já a área arqueológica muda seu horário conforme a época do ano: de abril a setembro, por exemplo, a última entrada é às 18h e o fechamento às 19h. Já nos meses de novembro e dezembro a última entrada é às 15h e o fechamento é às 16h. Por isso, é bom conferir no site o horário de funcionamento na data da sua visita. A entrada custa €5. Jovens entre 18 e 25 anos têm direito ao preço reduzido de €2. Menores de 18 anos têm entrada franca.
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